terça-feira, novembro 28, 2006

Tessitura

















Na pele, melhor papel
A palavra é esmerilada
Livre do peso bruto da pedra
Tem outro viço, sentido de água

Fecho os olhos suave[mente]
Tacteio as folhas leve[mente]
onde insularizam meus dedos
uma sede de incendiados mares

Viajo na textura da pele - arrepio

Arde-me uma auréola de nume
Em meu pélago de rubros absintos

Fecho o livro vaga[mente]
Resta-me o acto em que me completo
Impulso de asa, simples vaga-lume



27 Comments:

Blogger Pierrot said...

"Viajo na textura da tua pele"...

Depois de ler este teu poema e ver atentamente a foto que postas, a minha imaginação flutua imediatamente para aquela frase.

A pele, os dedos, o tacto e o corpo.
Mnemosyne...isto é um poço de sentidos.
Bjos daqui
Eugénio

28 novembro, 2006 16:58  
Blogger Unicus said...

Valeu a pena esperar. Vale sempre.
Não há como fugir às emoções, na emoção de te ler.
Suave[mente] penetro no teu poema. Belo. Plena[mente] fica o beijo.
Sim, és poeta.

28 novembro, 2006 18:21  
Blogger Angela said...

Esta é que é a subtileza da sensualidade... Transformas tudo em poesia!
Ler-te é confrontarmo-nos sempre com um novo desafio. É desvendar nas tuas palavras sentidos mágicos.

Admiro a tua riqueza vocabular logicamente, mas admiro sobretudo como metamorfoseias as palavras e seus significados...

Beijo grande.

28 novembro, 2006 18:31  
Blogger Betty Branco Martins said...

A insustentável - leveza..)

...como os poetas se traduzem

"Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois?
espírito e calor"!

O amor é o amor - e depois - ainda será o amor...

Belíssimo o teu poema

Beijinhos com carinho

28 novembro, 2006 20:51  
Anonymous Juda said...

Olá... Muito bom, palavras certas... um abraço...

28 novembro, 2006 22:21  
Blogger AS said...

Belissimo poema!
Açucarado, que se derrete na boca e arde como a primeira menta da infância...


Um beijo!

29 novembro, 2006 00:27  
Blogger daniel sant'iago said...

Do papel à pele...
Do livro tacteado à carne sob (im)pulso...
Beijo.

29 novembro, 2006 10:20  
Blogger .*.Magia.*. said...

Entranhante e extremamente sensitivo e audaz...

Em cada silaba, um poro em desassossego!!!!

Muitas beijokas para ti!
É um prazer saber que existe quem escreva assim!

Cheers

29 novembro, 2006 12:34  
Blogger Sophie said...

A forma como tocas as palavras é de uma sensibilidade incrível.
Adorei!
Beijinhos

29 novembro, 2006 14:19  
Anonymous Mel said...

Foi um prazer imenso passar aqui.
Eu que escrevi um livro que se chama
"Apenas um conto, Cerzido ponto por ponto na cadeia dos sentidos", fiquei pregada a tua frase de apresentação.

Lindo.
Bjs de Mel

29 novembro, 2006 15:44  
Blogger ERÓTIKA said...

sensuales fotos y los versos, un abrazo amiga, te espero..:)

29 novembro, 2006 19:29  
Anonymous Pedro Branco said...

Desta pele o momento de ser
Da nossa pele a vontade
Da tua pele o entardecer
Que do tacto brota a verdade

Da pele dele, da pele dela
Ser o olho que vê a mão que agarra
Saio de casa pela janela
Viajo com botas e samarra
Minha dor não tem aguarela
Meu poema é flor sem jarra

Da pele que se vê à pele que se sente
Vai o clique do desligar
Aqui talvez se sinta o que se mente
Mas sem nunca o amarrar

29 novembro, 2006 21:41  
Blogger Luís Galego said...

antes de adormecer foi bom ler este poema...

29 novembro, 2006 23:04  
Blogger vida de vidro said...

Uma viagem de toque - arrepio que nos envolve sensualmente. Belo. **

30 novembro, 2006 15:44  
Anonymous Zahir said...

É de facto uma viagem de sentidos...voei!
Excelente sintonia! Beijos

30 novembro, 2006 15:45  
Blogger o alquimista said...

Tu és um espanto...rara sensibilidade, elegante palavra...tu és um ser diferente!...sente-se...!


Doce beijo

01 dezembro, 2006 11:17  
Blogger Cassiopeia said...

Os teus poemas são sempre lindíssimos.

Cassiopeia

01 dezembro, 2006 16:39  
Blogger pintoribeiro said...

BOa noite, um abraço.

01 dezembro, 2006 20:35  
Blogger Bandida said...

belo. belissimo.



insaciável a beleza.





beijo!
________________________

02 dezembro, 2006 01:18  
Blogger Luis Duverge said...

Realmente o som de umas palavras que em "tessitura" adquirem um equilíbrio sublime.
Em sintonia sopro daqui um beijo.

02 dezembro, 2006 10:41  
Blogger Nilson Barcelli said...

O teu poema é belíssimo e bem escrito.
Fecho o livro vaga[mente]
Resta-me o acto em que me completo
Impulso de asa, simples vaga-lume

E terminas muito bem… gostei imenso.
Beijos.

03 dezembro, 2006 17:00  
Blogger delfim peixoto said...

Adorei...!
bjnhs doces
...mudei de casa!

03 dezembro, 2006 22:08  
Blogger pensamentos_vagabundos said...

delicioso...
beijo vagabundo

04 dezembro, 2006 10:37  
Blogger Unicus said...

Volto. Vaga(mente)e a esperança tinge-se de negros. Porque quero mais.
Beijos.

04 dezembro, 2006 11:59  
Blogger Corvo Negro said...

Ler-te é... incendiar os olhos e gelar os dedos.
É um previlégio sentir tamanha alma.

05 dezembro, 2006 15:59  
Blogger jm said...

Sublime !!!!!

05 dezembro, 2006 19:05  
Blogger Carla said...

"Em mantos de negro,
assombro o teu corpo...
Toco-te...
me faço presente,
na tua carne quente...
Um rio frio,
corrente electrica,
a minha presença...
Em teus mantos negros,
viajo incognita,
marcando-te a mente..."


Bjs

07 dezembro, 2006 16:31  

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